CNH mais barata e rápida? Denúncias no RS apontam cobranças extras e regras que não existem na nova legislação


Mudanças na Legislação da CNH

Em dezembro de 2025, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou uma resolução que trouxe mudanças significativas para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Essa nova legislação visou a simplificação do processo, eliminando a obrigatoriedade de aulas em autoescolas, permitindo que os candidatos tenham maior autonomia na preparação para os exames. A proposta foi recebida com otimismo por muitos que acreditavam que isso tornaria o processo mais acessível e menos custoso.

Entre as principais alterações está a redução da carga horária obrigatória de aulas práticas, que foi diminuída de 20 horas para apenas 2 horas. A ideia era que os candidatos poderiam optar por fazer estas aulas com instrutores particulares credenciados, ao invés de serem obrigados a frequentar um Centro de Formação de Condutores (CFC). Além disso, o curso teórico pode ser feito online, o que representa um avanço significativo para aqueles que buscam flexibilidade nos estudos.

Contudo, as mudanças criaram um cenário de incertezas. Muitos candidatos relataram dificuldades ao tentar se adequar à nova legislação, especialmente em relação ao cumprimento das novas regras por parte dos CFCs, que em algumas situações acabaram cobrando por serviços que não deveriam ser exigidos segundo a nova legislação. Essa divergência levou muitos a questionarem se, de fato, a legislação estava sendo aplicada de maneira correta.

Denúncias de Cobranças Extras

Um dos principais problemas que emergiram com a nova legislação foi a denunciação de cobranças adicionais feitas por diversas autoescolas. Muitos candidatos afirmam que, apesar das novas regras, acabaram encontrando exigências de pacotes de aulas ou taxas extras que não estavam previstas nas determinações do Contran. Essas cobranças incluíam valores para a locação do veículo durante a prova prática, além da necessidade de fazer aulas preliminares obrigatórias no próprio CFC, mesmo que não fossem exigidas pela nova normativa.

O estudante João Rafael Costa de Oliveira relatou sua experiência, afirmando que, ao tentar contratar um instrutor autônomo por um valor mais acessível em sua região, se deparou com a necessidade de, obrigatoriamente, fazer aulas no CFC, resultando em um custo final muito mais alto do que o previsto. Sua frustração é compartilhada por muitos, que se sentem ‘amarrados’ e sem alternativas, levando-os a gastar muito mais do que esperavam.

Contradições na Prática

As práticas adotadas por muitos CFCs estão em contradição com as novas regras estabelecidas. Embora a legislação permita que o candidato realize o processo de forma digital e que ele possa escolher seus próprios instrutores, na prática, muitos CFCs resistem a essa mudança, fazendo com que os candidatos precisem arcar com custos que não deveriam ser exigidos. Essa situação reflete um despreparo de alguns centros para se adaptarem às novas regulamentações.

Além disso, a versão do Contran que permite a realização da prova prática com um veículo próprio foi mal compreendida por alguns CFCs, que insistem que o candidato deve utilizar o carro da autoescola. Isso gera confusão, desinformação e, muitas vezes, constrangimento aos candidatos, que se veem forçados a discutir seus direitos de forma direta com funcionários que, muitas vezes, não estão informados sobre a legislação atual.

A Nova Autonomia do Candidato

Uma das premissas centrais da nova legislação da CNH é a autonomia que ela visa conceder ao candidato. Ao eliminar a obrigatoriedade de aulas em autoescolas e ao permitir que o curso teórico seja feito online, o Contran estão tentando atender a uma demanda por maior liberdade e flexibilidade na formação do motorista. Entretanto, essa autonomia também traz responsabilidades, uma vez que o candidato deve ter conhecimento suficiente para se preparar para os exames.

Por outro lado, a confiança em instrutores autônomos ainda causa insegurança. Embora a legislação tenha estipulado que apenas instrutores devidamente credenciados podem ministrar aulas práticas, a verificação de que esses profissionais cumprem com os requisitos exigidos pelo Contran é algo que carece de um maior acompanhamento por parte das autoridades de trânsito. Assim, cabe ao candidato fazer a escolha com cautela, garantindo que a formação recebida seja de qualidade.

Redução da Carga Horária de Aulas

A redução da carga horária de aulas práticas exigidas para a obtenção da CNH foi um dos pontos mais alardeados da nova legislação. A diminuição de 20 para apenas duas horas de aulas práticas era vista como uma medida que facilitaria e desburocratizaria o processo de formação dos novos motoristas. No entanto, essa medida não foi bem recebida por todos.

Os críticos alertam que a redução drástica na carga horária pode comprometer a formação adequada dos novos motoristas. Apenas duas horas podem não ser suficientes para garantir que um candidato adquira experiência prática e aprenda a dirigir de forma segura. É um dilema que divide opiniões, de um lado, a liberdade e a economia para os candidatos, e do outro, a necessidade de segurança no trânsito.

Exigências Inesperadas dos CFCs

Além das cobranças extras que têm sido denunciadas, os candidatos também enfrentam exigências inesperadas ao tentar completar o processo de obtenção da CNH. Em várias situações, os CFCs continuam a exigir que seus alunos façam um número mínimo de aulas dentro do próprio centro, independentemente da nova lei. Essa situação não apenas desrespeita a nova legislação, mas também força os candidatos a aumentar seus gastos sem necessidade.

Essas exigências têm gerado frustração e insatisfação entre os candidatos, que se sentem pressionados a se submeter a normas que não estão mais em vigor. Um estudante mencionou que, mesmo após contratar um instrutor autônomo, foi informado que não poderia prosseguir sem fazer uma aula presencial na autoescola. Isso levanta questões sérias sobre a aplicação das novas normas e a necessidade de um controle mais eficaz sobre a operação dos CFCs.

O Papel do Detran nas Denúncias

Quando surgem denúncias acerca de práticas abusivas ou cobranças indevidas, o Detran-RS se coloca como o órgão responsável por investigar. Segundo o diretor-técnico do Detran, a autarquia abre procedimentos administrativos sempre que denúncias são recebidas. O problema é que muitos candidatos relatam que os processos são lentos e nem sempre resultam em uma solução rápida.

Essa lentidão no tratamento das reclamações pode deixar candidatos se sentindo desamparados, sem respostas ou soluções. A expectativa é que o Detran se torne mais ágil na resolução dessas questões, uma vez que a confiança dos candidatos na instituição é crucial para a credibilidade do processo de habilitação.

Instrutores Autônomos e Suas Limitações

Apesar de a legislação permitir que instrutores autônomos realizem aulas práticas, nem todos os candidatos encontram essa opção viável. A disponibilidade e o acesso a instrutores credenciados variam bastante entre as diferentes regiões do Estado, e muitos se deparam com a dificuldade de encontrar esses profissionais. Assim, a promessa de maior autonomia nem sempre se concretiza na prática.

Além disso, a legalidade da atuação dos instrutores autônomos também gera incertezas. Candidatos que desejam optar por essa alternativa precisam se certificar de que o instrutor possui todas as devidas credenciais. A falta de informações claras e acessíveis sobre como validar esses profissionais pode ser um fator que desestimula os candidatos a buscar essa alternativa, direcionando-os de volta aos CFCs, onde, muitas vezes, são obrigados a arcar com custos excessivos.

Perspectivas para os Candidatos

Embora haja muitos desafios a serem enfrentados na implementação da nova legislação da CNH, as perspectivas para os candidatos também são positivas. A possibilidade de realizar o curso teórico online é um avanço em comparação com o passado, contribuindo para um aprendizado mais adaptável e acessível a um número maior de pessoas. A redução das aulas práticas, se bem implementada, tem o potencial de tornar o processo de habilitação menos oneroso.

No entanto, para que essas perspectivas se concretizem, é necessário que haja maior regulamentação e fiscalização por parte do Detran nas práticas dos CFCs. Isso garantirá que todos os candidatos tenham acesso a um tratamento justo e adequados, independentemente da forma como optarem por seguir o processo de habilitação. O empoderamento do cidadão passa, necessariamente, pela garantia de que as leis estão sendo respeitadas.

Análise das Reclamações Recebidas

Até o presente momento, as reclamações recebidas pelo Detran relacionadas à nova legislação da CNH têm demonstrado um cenário de conflito e confusão. A estabilidade e coesão nas diretrizes estabelecidas pela nova resolução são fundamentais para que o processo de habilitação em todo o Estado se torne mais coerente e previsto pela população. A análise das reclamações é um passo necessário para que o Detran possa implementar medidas corretivas eficazes.

Considerando o volume de denúncias, torna-se evidente a urgência de um envolvimento mais ativo e transparente do Detran. A articulação entre os candidatos, CFCs e o Detran é fundamental para resolver as contradições que têm surgido. Por meio de abordagens colaborativas, é possível criar um ecossistema que respeite as regulamentações e que priorize a formação adequada dos candidatos, garantindo segurança e eficiência no trânsito.